João Pedro Roriz

Por que devo fazer terapia?

19 Jun 2017

 

A vida é uma caixinha de surpresas. Por mais experiência que uma pessoa possa ter em determinados assuntos, sempre há um dilema, um problema ou um desafio que lhe cause estranheza. Esse normalmente é o motivo que leva as pessoas a procurar um terapeuta. É um primeiro momento em que o indivíduo busca respostas rápidas e consideradas fundamentais para a resolução de problemas. 

 

Mas nunca é assim tão simples. Normalmente, um problema que exige uma decisão rápida traz consigo uma crise muito mais profunda. Normalmente, tem a ver com a infância, com emoções ignoradas, com decisões anteriores, com o tratamento recebido pela família, pelo desejo de superação incontida, desejo de pertencimento, desejo de compreensão e outros motivos. 

 

As pessoas são muito diferentes umas das outras. E cabe a cada uma se conhecer mais profundamente. Isso não é uma tarefa fácil. Desde o século V a.C., o "amigo do conhecimento" (ou filósofo) Sócrates propunha essa jornada interior: antes de descobrir as verdades sobre a vida e sobre o mundo, sobre o que é bom e ruim para si, que tal, conhecer-se? 

 

Conhecer-se seria uma boa forma de lidar com os problemas. Necessário se faz compreender os próprios defeitos, as próprias qualidades, as próprias limitações e o estado em que se encontra, sem orgulhos e vaidades que causem cegueiras e que levam o indivíduo ao conflito, ao erro e à ignorância. Segundo teorias filosóficas, conhecer a si mesmo e, por conseguinte, compreender melhor os próprios sentimentos em relação ao mundo e às forças opressoras, é ser livre.  

 

Voltemos a pergunta inicial proposta no título do artigo. Por que devo fazer terapia? Por que é bom. Todos deveriam fazer. A terapia é um mergulho em si mesmo. É uma forma de encarar as verdades que por anos foram ignoradas e estar aberto a transformações. Sob muitos aspectos, uma terapia bem feita pode causar estranheza, receios e alguns transtornos, não tenha dúvida. O mergulho em si mesmo é um exercício que mexe profundamente com as emoções, com os paradigmas e com as compreensões. Mas essa mudança não é negativa. 

 

Observe que não há nada de sobrenatural na terapia. Não é um movimente místico ou religioso. É ciência. O terapeuta escolhido precisa ser formado na faculdade de psicologia. Esse profissional estuda muito para ajudar seus analisados a falar de si e promover catarses (liberar emoções arraigadas, abordar temas pouco discutidos e por muito tempo ignorados). Esse processo ocorre através de simples conversas, em ambiente onde o analisado se sente a vontade para falar de si. O movimento pode trazer a tona sentimentos de raiva, comoção, alegria, ranco, saudade, etc. É por temer essas reações que por muitas vezes, as pessoas se mantém presas a um estado de latência. 

 

A terapia, quando bem direcionada, faz com que o analisado alivie suas dores e possa caminhar pela longa estrada da vida com menos peso. Não é um processo que prometa "cura". Não! Afinal, a "cura" só ocorre quando um paciente volta ao estágio anterior de sua doença. Na terapia não há paciente. Há "impacientes": pessoas como eu e você que precisam se conhecer. Após uma terapia bem feita, um analisado não volta ao estado anterior à doença, ao contrário, ganha ainda mais experiência sobre si mesmo para combater os dilemas da vida. 

 

A terapia ajuda o analisado a ter compreensão maior sobre os motivos que o levaram a percorrer os últimos passos de sua caminhada. Vale a pena experimentar. Não importa sua classe social, sua condição de vida ou sua idade. Se você quer se sentir melhor, procure um psicologo (sendo ele psicoterapeuta ou psicanalista). Tem profissionais que cobram barato e caro. Tem profissionais experientes e recém-formados, jovens e velhos. Procure aquele com que você se identifica mais.

 

E viva melhor! Viva leve!

 

João Pedro Roriz é jornalista, escritor e arte-educador. 

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