Gorrinho - uma loucura crônica faz dez anos em 2019 e chega a oitava reimpressão

Atualizado: Jan 14


Dez anos: várias gerações de alunos leram o Gorrinho na pré-adolescência


O livro "Gorrinho, uma loucura crônica", de João Pedro Roriz (Paulus) é um sucesso que completou 10 anos em novembro de 2019. A obra agrada os pré-adolescentes por conta de seu caráter extrovertido e irônico, suas assertivas políticas e sociais, sem embasamento teórico que aproxima os professores de seu público-leitor, o humor inteligente e picardias tão comuns às crianças com idade entre 9 e 12 anos.


A obra atinge um público que possui psicologia e identidade próprias - são jovens que não se reconhecem ainda como adolescentes, mas também não se vêem mais como crianças. Por conta desse fenômeno, os chamados pré-adolescentes sofrem hoje com a falta de representatividade no universo literário e escolar. Não a toa, a obra chega à oitava reimpressão em 2019, completando assim, nove tiragens regulares. Contando com uma tiragem especial, feita para atender demanda de governo, o livro acumula 11 tiragens.


O livro foi ainda premiado com o selo "Meus livros favoritos na escola" em 2011 pela Prefeitura de São Paulo. O autor Roriz repetiria o feito com "Eros e Psique" (Paulus), em 2012.


Momentos do autor com seus leitores em todo o País


"Gorrinho - uma loucura crônica" conta as histórias divertidas de um intelectual de onze anos em meio a seu universo escolar. Foi a primeira obra de Roriz para o público juvenil. Antes de sua publicação, em 2009, havia publicado duas obras poéticas para o público adulto. Trabalhava como ator de teatro e de TV e havia terminado faculdade de jornalismo recentemente. Tencionava continuar a atuar e escrever para jornais como colaborador. Quando tinha tempo, escrevia historias de seu personagem favorito, algo que já fazia desde os dezessete anos. Após o sucesso com o Gorrinho, Roriz teria que abandonar a carreira de ator e se dedicar exclusivamente à literatura juvenil e à educação. Lançou outros 34 títulos, formou-se em História, fez licenciatura e se especializou em docência e literatura juvenil.


- Gorrinho é meu alter-ego - diz o autor - é meu super-herói favorito. É o cara que eu queria ser quando criança e não fui. Ele sabe viver. Tanto que me ensinou (risos). Gorrinho tem a capacidade de resolver problemas com argúcia intelectual e também com inteligência emocional. É também um pouco da síntese das obras satíricas e políticas que lia na infância: tem o humor histórico e non sense do Asterix, as tiradas políticas da Mafalda, a extroversão e a criatividade do Menino Maluquinho e a crise existencial do Calvin.


A ideia original era lançar Gorrinho em histórias em quadrinhos e vender o projeto para um jornal, mas para isso havia certo impedimento. Roriz não sabia desenhar. Buscou assim a parceria com seu amigo Marcelo Perrone Campos, um poeta e artista plástico de Brasília-DF. O Gorrinho ganhou cara, corpo e movimento. Seus colegas de escola também. Mas faltava tempo ao ilustrado para desenhar os quadrinho. Foi então que Roriz preferiu compilar seus textos em micro-histórias e oferecê-los ao departamento de literatura infanto-juvenil da Paulus Editora, na época capitaneado pelo padre Jackson Alencar. Contou com o apoio na época da escritora infantil Lúcia Fidalgo, autora da casa, que se maravilhou com a obra e a indicou para o editor.



As capas, Roriz com trabalhos feitos pelos alunos, uma porta de sala de aula


O livro tornou-se um sucesso. Seu formato e tema anteciparam algumas tendências culturais e comportamentais que seriam naturalizadas entre os jovens nos anos seguintes.


- É interessante mencionar que quando eu comecei a escrever as crônicas do Gorrinho, ainda não havia redes sociais como tem hoje e essa super-dependência que os jovens têm com os computadores e celulares. Mesmo sem saber, eu acertava em optar por um formato enxuto, com textos curtíssimos; quase mini-crônicas. Sem saber, estava antecipando uma tendência das gerações de jovens que viriam a seguir e que se acostumariam a se comunicar através de postagens curtas no Twitter, no Facebook ou no Instagram - destaca o autor.


Entre os amigos de Gorrinho estão personagens cujo comportamento também antecipou em muitos aspectos as tendências atuais. Beto Sam é um japonês que naturaliza sua dependência por computadores. Ludimila é uma feminista. Nigel tem um comportamento político com ideologias ambientalistas e sociais, algo preconizado hoje por muitas crianças, como Greta Thunberg. Jorginho é um pré-adolescente hiperativo que entra em conflito com a proposta pedagógica tradicionalista das escolas conservadoras. O personagem Padre Galo traz a tona a polêmica sobre a religiosidade em sala de aula. O gato Nero e seu comportamento fundamentalista religioso explora a questão do ultraconservadorismo e sua relação com o mundo moderno. O próprio Gorrinho é a expressão de uma intelectualidade múltipla e plurifuncional que não pode ser enquadrada por questões mercadológicas, ideológicas e ou econômicas. Seu talento puro e simples é gostar de estudar e de atuar em diferentes áreas do conhecimento humano, sem segregações e divisas entre matérias - uma tendência mundial que, segundo especialistas em pedagogia, culminará em mudanças radicais nos próximos 10 anos na área da educação, algo que vem sendo chamado de "Educação 4.0". Os problemas de relacionamento que Gorrinho tem com os pais, com os colegas e com os professores demonstram a dificuldade do atual sistema tem em lidar com indivíduos que fogem ao senso comum e em conciliar o pensamento contemporâneo com as práticas pedagógicas oriundas da escolática e da conservadora visão conteudista, algo que Paulo Freire chamou de "educação bancária".


Book trailler do livro seguindo uma pegada Nickelodeon


Gorrinho se tornou um grande álibi dos professores, não apenas na construção de um pensamento mais moderno sobre educação, como na provocação pedagógica aos alunos e na criação de debates sobre temas relevantes para o mundo atual. Não a toa, a obra ganhou uma continuação em 2013 com "Gorrinho 2 - o mistério está no ar", ideal para estudantes de 10 a 14 anos. Nessa segunda obra, Gorrinho se torna um detetive e passa a desvendar mistérios que ocorrem na Escola São Matheus, alguns deles inclusive que colocam a vida de seus colegas em risco. Outros temas que agradam os adolescentes como amor romântico, esportes, atividades em grupo, curiosidades científicas, vida escolar e familiar também são apreciados nos dois volumes.


Gorrinho também protagonizou uma obra de RPG chamada "Gorrinho e Jorginho - perdidos na mata". Trata-se de um game de matemática, com diversos finais possíveis. O leitor é quem decide por quais caminhos os personagens devem seguir, o que pode levá-los ao triunfo, ao fracasso, ou até mesmo à morte. Essa obra não foi disponibilizada no mercado. Participou do projeto "Direito e Cidadania" e foi doada para 30 mil crianças carentes em todo o Brasil. Todavia, a obra gamificada pode ser lida (e "jogada") no site do autor, no link www.joaopedrororiz.com.br/gorrinho.


O FUTURO DO PERSONAGEM

Uma tirinha do Gorrinho, com visual remodelado


Já não é de hoje que a Paulus Editora solicita ao autor João Pedro Roriz um terceiro livro para concluir a trilogia do personagem. O escritor estuda escrever um romance de mistério com o personagem. Ainda está em formulação.


A novidade é que nos últimos 5 anos, o autor finalmente conseguiu realizar o sonho de transformar o personagem em um protagonista de histórias em quadrinhos. Esse projeto já pode ser apreciado pelos leitores no site do autor e também no Facebook do personagem, em www.facebook.com.br/diariodogorrinho. Nestas postagens, o personagem é desenhado com um semblante mais velho, com aproximadamente 16 anos. Quem assina os traços é o desenhista da Marvel Matias Streb com cenários ilustrados pelo próprio João Pedro Roriz no computador.


Independente do caminho a ser traçado doravante, algo é certo: o livro "Gorrinho - uma loucura crônica" ocupa espaço valioso no coração de crianças, jovens e adultos - sejam eles pais, professores ou ex-alunos. Hoje no Skoob, site especializado em livros, é possível ler alguns depoimentos de ex-alunos saudosos da época em que foram convidados a ler Gorrinho uma loucura crônica na escola e produzir materiais ricos e belos debates sobre o livro, além de encontros e bate-papos com o autor. Todos envelhecerão. Os leitores, o autor, o editor, os ilustradores das obras, mas Gorrinho permanecerá assim, encantando novas gerações de alunos, pois será eternamente jovem no coração e na memória de todos nós.


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João Pedro RorIz

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