Crítica livro "O Homem Sussurro"

. O HOMEM SUSSURRO, OBRA BEM ESCRITA POR ALEX NORTH, COM BELA DEFINIÇÃO DE "IMAGENS" E COERÊNCIA NA CRIAÇÃO DOS PERSONAGENS, PECA PELO EXCESSO DE EXPECTATIVA CRIADA NO LEITOR.




Livro: O Homem Sussurro

Autor: Alex North

Tradução: José Roberto O' Shea

Ano: 2019 / 1a Ed.

Editora: Record

Páginas: 420

Estilo: romance policial ingês

ISBN: 9788501117021

Formato: 22,5X15,5



CRÍTICA AO LIVRO "O HOMEM SUSSURRO" DE ALEX NORTH

Por João Pedro Roriz


Uma obra de sucesso mundial, enlatada e trazida ao Brasil pela Record. Mais um enlatado, pensei. Por que a Record não publica um pouco mais os autores nacionais. É crescente a procura por livros de terror, mistério e suspense policial, principalmente pelos mais jovens. E aqui estamos, diante de um livro com capa linda, dourada, com aplicação de verniz localizado, um livro com empunhadura muito boa, uma produção editorial de tirar o fôlego. tudo na produção gráfica do livro nos faz crer que será prazeroso ler.


A obra é bem escrita, com ótima criação de imagens e boa apresentação dos personagens. O autor possui talento na codução da história e nos ambienta muito bem em uma cidade de interior da Inglaterra de 2015. O problema é que o livro promete muito mais do que cumpre. Na quarta capa, li entre as fortunas críticas uma frase de Ali Land (autora de "Menina boa, menina má") que dizia se tratar de um livro "macabro" e viciante. Tenho muito prazer em ler livros que atiçam sentimentos desconcertantes em mim. O medo é um deles. Ao ler o primeiro capítulo, me encolhi na cadeira com a expectativa de ler um livro que realmente me desse medo. Mas isso não aconteceu ao longo da história. O autor estava mais preocupado em solucionar os mistérios que criou do que nos convencer do realismo da história e nos colocar diante de nossos próprios horrores e dilemas.


O livro conta a história do escritor Tom Kennedy que precisa cuidar sozinho de seu filho Jake após a morte da esposa. Jake é um menino traumatizado com dificuldades de relacionamento que se relaciona com amigos imaginários. Os dois se mudam para uma casa com fama de má assombrada em Faetherbank, no interior e descobrem às duras penas que a residência possui relação com crimes macabros na cidade.


O livro é mais um suspense com fundo policial do que um triller propriamente dito. Mas ainda assim, traz prazer. De leitura muito fácil, é um livro acessível aos mais jovens. Nesse ponto, senti que o autor flerta o tempo todo com a literatura juvenil. Com isso, a obra perde um pouco a identidade, pois não possui a passionalidade necessária para ser um livro juvenil, como também não possui a maturidade necessária para atingir os adultos. O contexto em que a história é localizada é naif, tendo passagens realmente rápidas e desprovidas de alma. O autor utiliza o estilo "Deus Ex Machina" para solucionar problemas dentro do mistério. Um dos personagens principais da história que pouco fala - apenas pensa e emite sinais - é descartado de uma hora para outra, sem poder realizar qualquer coisa interessante dentro da trama. Ou seja, os personagens, apesar de bem comunicativos e bem pensados, são subjugados na história de forma autoritária, sem preocupação com o realismo proposto.


Em conclusão, "O homem-sussurro" é um livro muito bem editado e bem escrito; uma obra que traz apenas o prazer da leitura pela leitura, ao passo que não acrescenta substancialmente ao leitor nenhum novo sentimento a não ser certo ceticismo e frustração, por não entregar o que promete.


João Pedro Roriz é escritor, jornalista, psicopedagogo e professor. Email: joaopedrororiz@joaopedrororiz.com.br.


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