O DIA QUE OS LEITORES SE VINGARAM




NÃO É TODO DIA QUE O ESCRITOR PROVA DO PRÓPRIO VENENO. ACONTECEU EM 2018, NA ESCOLA MURIALDO, EM CAXIAS DO SUL.


Colégio Murialdo, Caxias do Sul, RS. Plateia lotada, mais de 400 livros vendidos. A obra adotada era "O mistério de Troia" (ed Paulus). Essa obra precisa ser lida com cuidado, pois seus capítulos não são apresentados de forma cronológica. É de propósito, para que o leitor experiencie essa linguagem não temporal.



Mas no Murialdo, a moçada me deu o troco. Fui incumbido de desvendar um enigma que eles prepararam para mim. E isso na frente de 400 pessoas. Me senti o mais ignorante dos homens. Mas logo saquei a brincadeira: "é uma vingança cega né"? Todos aquiesceram rindo. Mas que barbaridade.


Daí eu me encanzinei. Com a ajuda da coordenadora, analisei os desenhos e as informações no enigma e fiz de conta que nem me incomodei com o fato de estarem TODOS fora de ordem. Era preciso experimentar do próprio veneno. E eu fiz, com muito esforço e, quando concluí minha tarefa, determinado a imaginar que havia fracassado, já que levara muito tempo, parabenizei a moçada pelo ótimo enigma e concluí que a adolescência é uma maravilhosa experiência. A liberdade de confrontar, de criticar, de elogiar, de zoar o escritor é sinal dos tempos. E nós estamos aqui para isso mesmo, para fazer parte da vida deles, como se fôssemos sua família. Depois dessa surra de laço trançado, me caiu todos os butiás dos bolsos. Mas por fora estava mais firme que palanque em banhado (rs).




Após a saia justa divertida, fui encontrar-me com cada um dos olhinhos apaixonados. O livro fora devorado por aqueles cérebros inteligentes e havia muitas, muitas perguntas e curiosidades. Minha vida como escritor juvenil é um grande enigma. Não sei ao certo o que me trouxe até aqui e para onde vai me levar. Mas adoro a companhia. A se adoro! Oigaletê!


João Pedro Roriz

é escritor, professor e psicanalista

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