Do que se trata a pedofilia?



Diariamente, assistimos nos noticiários tristes histórias sobre abuso sexual contra crianças e informações sobre tráfico de material pornográfico envolvendo menores de idade. Esses crimes hediondos nos fazem questionar: o que leva um adulto a ter desejo sexual por crianças? Como tratar essas pessoas e como proteger crianças e adolescentes dos predadores sexuais?


A pedofilia é, antes de mais nada, uma perversão sexual, uma forma de compulsão que leva indivíduos adultos a terem desejos sexuais por crianças. Importante salientar que nem todo pedófilo é criminoso. Grande maioria dos pedófilos é silenciosa e luta contra esses desejos sem de fato realizá-los. Muitos não procuram ajuda profissional com medo de serem estigmatizados e permanecem em profundo sofrimento.


O que causa a pedofilia: estudos recentes na área da medicina comportamental propõem que o pedófilo tem sua mente pervertida por conta de diversos fatores. Há primeiro, um trauma de infância. Esse trauma pode ser um abuso sexual ou outro tipo de abuso não relacionado ao sexo; pode ser consciente ou ter sido sublimado ou recalcado. Em segundo lugar, há, devido ao trauma, diversas questões mal resolvidas pela mente. Problemas não resolvidos estressam a mente que, para alcançar um estado de harmonia, faz links com experiências pretéritas indissociáveis com os traumas, o que gera ansiedades, compulsões, angústias e até mesmo as perversões. A mente, acostumada a realizar readequações dos sentimentos de uma forma distorcida, por motivos relacionados aos traumas, passa a associar crianças ao seu trauma e às perguntas sem respostas que colecionou ao longo da vida. Em terceiro lugar, o sujeito cria uma fobia. Ele se sente desconfortável perto de crianças e se sente ameaçado por elas. Em quarto lugar, a mente desequilibrada adapta a fobia de crianças para que o sujeito possa se relacionar com elas. Assim, cria impulsos de prazer e de emoção ao detectar a presença de crianças, o que é interpretado pelo sujeito como necessidade sexual.


Entre os criminosos apontados como pedófilos, há muitos que, aparentemente, não possuem desejo específico por crianças, mas que possuem outros transtornos mentais e psicológicos, ou desvios de conduta como o machismo e o sexismo.


Como tratar: pedófilos assim como sádicos e outros indivíduos que pensam em sexo de forma compulsiva e pervertida precisam de acompanhamento de um psicólogo experiente em sexologia. O psicanalista poderá também contribuir com uma pesquisa sobre o inconsciente do paciente de modo a tratar suas neuroses e diminuir o estresse mental que o leva a ser compulsivo. Esses tratamentos são fundamentais para que o sujeito em sofrimento não rompa o limite da moralidade e passe a tentar realizar seus desejos pervertidos.


Importante salientar que os pedófilos que foram as vias de fato precisam pagar por seus crimes e serem presos. Na cadeia, porém, deveriam receber o tratamento adequado para não permanecerem em estado de sofrimento e para não rescindirem em seus crimes.


COMO PROTEGER CRIANÇAS E ADOLESCENTES


- Orientação sexual

Explicar para crianças o que são áreas íntimas. Mostrar a elas a importância de proteger essas áreas e o motivo. Ajudar a criança a identificar conversas inapropriadas e a denunciar quaisquer abusos. Explicar o que é sexo a partir da primeira demonstração de interesse da criança sobre o assunto. Falar sobre as responsabilidades da prática sexual e de suas possíveis consequências.


- Proteção

Se for cuidar de uma criança, esteja atento em relação ao que ela faz ou com quem conversa. Proibir conversas com desconhecidos quando estiver desacompanhada e explicar o motivo. Ter acesso às senhas das redes sociais e dos dispositivos eletrônicos e acompanhar o que a criança faz on line.


- Conversa

Saber a vida da criança que está sob seu cuidado: o que fez durante o dia, com quem está conversando e o teor da conversa. Explicar sempre o motivo de tal cuidado. Criar um ambiente onde a criança se sinta a vontade para contar sobre sua vida e suas experiências.


- Ambientes comunitários

A maioria dos abusos contra crianças e adolescentes acontecem no ambiente doméstico. É portanto necessário tomar as devidas precauções e criar uma zona de proteção em torno do menor.


- Conteúdos inapropriados

Crianças e adolescentes estão cada vez mais inseridos na cultura de mídia. É preciso, pois estar atento para a sexualização dos conteúdos midiático e proteger menores de idade de conteúdos considerados inapropriados. Para tanto, é importante conversar com um um psicanalista, um psicólogo ou um psicopedagogo sobre sexualidade infantil e suas características, a fim de saber qual é o limite exato entre a proteção e a paranoia.


- Relacionamentos on line

Se a criança ou o adolescentes sob sua tutela diz ter um amigo on line, tomar conhecimento sobre esse relacionamento e exigir conhecer a identidade do interlocutor, pois muitos adultos se passam por crianças e adolescentes no universo on line.


- Informações legais

Informar que segundo a Lei, qualquer relação sexual com menores de 14 anos, independente de quem pratique, é considerado estupro presumível, mesmo em casos de consentimento. Explicar que sexo antes dos 18 anos pode ser considerado abuso caso haja uma denúncia, independentemente da idade de quem pratique, mesmo que haja consentimento.


Caso precise de mais informações sobre o assunto, entre em contato.



João Pedro Roriz

Escritor, professor e psicanalista.

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