Você é um filósofo em potencial

Atualizado: 26 de Nov de 2019


Todo ser humano é dotado de uma atitude filosófica. Mas nem sempre as pessoas se identificam como "filosofas". Existe muito preconceito em relação a essa palavra. Por um lado, há aqueles que acreditam que Filosofia é uma ciência para poucos intelectuais; para outros, a filosofia é um conhecimento subjetivo com pouco uso prático no dia-a-dia.

Se você já perguntou para que serve a Filosofia, já está dando importância ao tema. Filosofar é problematizar, é identificar as contradições sobre as narrativas, investigar alternativas baseadas na razão e buscar soluções críticas para o problema.

Vivemos em um mundo cheio de demandas e ofertas. Nesse mercado de tempo integral, poucos são aqueles que de fato, podem parar para observar o mundo e criar teorias a respeito da vida. O filósofo também não dispõe desse tempo. O filósofo moderno treina seu senso crítico durante os afazeres do dia-à-dia. Todos que são dotados de alguma atitude filosófica e de algum senso crítico poderá denominar-se filósofo. Para isso, basta indagar-se "será?".

MAIS IMPORTANTE DO QUE A HISTÓRIA DA FILOSOFIA OU CONHECIMENTO SOBRE O ASSUNTO É A MANUTENÇÃO DE UMA ATITUDE FILOSÓFICA

Apesar de haver centenas de livros sobre filosofia, essa ciência não se ensina. Um livro ou um curso poderá ensinar a História da Filosofia ou discorrer sobre as diversas teorias filosóficas criadas por intelectuais ao logo dos anos, mas a atitude filosófica, o fazer crítico, a consciência e a busca pela razão são elementos pessoais e intransferíveis.

Em aspectos gerais, o homem desenvolveu uma atitude filosófica a partir do momento que deixou de acreditar piamente em uma narrativa mítica sobre deuses e personagens sobrenaturais. Da mesma forma, esses mesmos filósofos da antiguidade compreenderam que existe dignidade e poder filosófico na narrativa mítica, uma força fundamental para o desenvolvimento do senso crítico e para o desenvolvimento das artes.

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A Filosofia teve seu início no século VI a.C. quando os gregos antigos passaram a refletir sobre o poder evocado pela natureza e sobre as possíveis razões para os acontecimentos naturais. Enquanto a narrativa mítica aceita as contradições e se baseia totalmente na credibilidade do poeta-narrador, a filosofia era utilizada como ferramenta por intelectuais para discorrer sobre reflexões baseadas em análises científicas.

O mais divertido de tudo isso é que, com uma ciência tão incipiente, era possível ver, naquela época, homens consagrados discutindo sobre temas considerados simples nos dias de hoje. Faziam perguntas que as crianças de hoje em dia fazem para os pais: "por quê o céu é azul", "por que os bebês nascem" e "qual é o tamanho da Terra". Graças a inquirições como essas; graças à curiosidade e à necessidade de evoluir e sobreviver, o homem progrediu. Graças ao avanço das relações políticas e o desenvolvimento da democracia, a ciência evoluiu mais nos últimos 50 anos do que nos últimos milênios.

Portanto, jamais subestime a Filosofia. São tantos assuntos dispostos pelo Universo para nossa ponderação, tantos mistérios sobre a vida que sempre haverá alguém perguntando: "mas por que...". Você não precisa deixar de seguir sua religião. Não precisa deixar de acreditar em Deus ou em qualquer narrativa mítica que aborde o sobrenatural. Mas no meio de tantos sensos comuns sobre a natureza, experimente treinar seu senso crítico sempre que puder e chegar a resoluções próprias sobre todos os assuntos que ainda lhe causam dúvidas. Quanto mais descobrir, mais sede de conhecimento terá.

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João Pedro Roriz é escritor, jornalista e arte-educador.

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